segunda-feira, 20 de agosto de 2012

OROÍ & NÊSOÍ


OROÍ
Na mitologia grega, os Oroí ou Oúrea (em grego Oρoί ou Oύρεα, de ούρος ou ορός, “montanha”) eram Prôtógenos (“deuses primordiais”) ou Daímones Nómioi (“espíritos rústicos”) das montanhas. Supunha-se que cada montanha tinha seu próprio deus, ocasionalmente representados nas artes clássicas como velhos barbudos erguendo-se entre seus picos escarpados.
Raramente mencionados nos mitos, eram descendentes de Gaía (a Mãe Terra) por si mesma, portanto irmãos de Ouranós (o Céu) e Póntos (o Mar) e pais com esta das Nýmphes Epigaíes (espíritos femininos da terra).
Entre os Oúrea se consideram:
§                     Aítna, o vulcão da Sikelía.
§                     Athos, uma montanha de Thrákê (norte da Grécia).
§                     Kyllene, uma montanha na Arkadía, onde Hérmês nasceu.
§                     Kyrene, uma montanha na Arkadía, lar das Elaphoi Kyrenitis.
§                     Kynthios, uma montanha de Delos que criou Apóllôn e Ártemis.
§                     Kaúkasos, maciço montanhoso onde fica a prisão de Prometheus.
§                     Kythairon, maciço montanhoso de Boiotía (centro da Grécia).
§                     Dryos, uma montanha da ilha de Naxos.
§                     Erymanthos, uma montanha da Arkadia, lar do Hus Erymanthos.
§                     Erinx, um filho de Aphrodite que foi transformado em montanha.
§                     Pholoe, um monte da Arkadia, morada do Kentauros Pholos.
§                     Helykon, uma montanha da Boiotia que competiu com Kytheron.
§                     Hemos, rainha que foi transformada em montanha por sua Hybris.
§                     Idaios, uma montanha de Krete que criou Zeus.
§                     Lykaios, uma montanha da Arkadia.
§                     Meliteus, uma montanha da Skheria.
§                     Mikale, uma montanha em Karia na Anatolia.
§                     Nomia, uma montanha da Arkadia.
§                     Nysos, uma montanha da Boiotia que criou Dionýsos.
§              Olýmpos, o lar dos Dodekatheon e a montanha mais alta da Grécia, situada na Phrige.
§                     Oreios, deus da montanha Othrys, em Malis (sul da Thessalia).
§                     Ossa, montanha que foi usada pelos Aloadai para subir ao céu.
§                     Parnassos, uma montanha próxima do oráculo de Delphoi.
§                     Parnes, uma montanha da Boiotia.
§                     Pelion, uma montanha onde morava o Kentauros Kheiron.
§                     Pieros, montanha na Makedonia onde vivia Mnemosyne.
§                     Pindos, montanha que foi usada pelos Aloadai para subir ao céu.
§                     Rhodopê, rei que foi transformado em montanha por sua Hýbris.
§                     Sinoe, uma montanha da Arkadia, onde Pán nasceu.
§                     Taurus, montanha sagrada da Grécia.
§                     Tmolos, uma montanha da Lidye (em Anatolia).

"E primeiro pariu Gaía a seu igual em grandeza, a Ouranós estrelado, com o fim de que a cobrisse por inteiro e fosse uma morada segura para os Deuses ditosos. E depois pariu aos Oúrea enormes, frescos retiros das divinas Nýmphes que habitam as montanhas abundantes em vales pequenos; e depois, o mar estéril que bate furioso, Póntos; mas a estes os gerou sem unir-se a ninguém nas suavidades do amor." – Hesíodos, Theogonía 129.


"Tanto que ele disse [para Asôpós?]... Párnês [montanha entre a Boiôtía e Attiké] falou por sua vez... [texto de pápyros fragmentado] Prazeres... conectando pelo matrimônio... que... de você... fortuna...eu tenho capacidade... Kithairón... os responsáveis... e Kithairón... Plátaia [filha de Asôpós]… este trouxe... o perdido... para o...difundido, amarelado Helikón." – Hómêros Epigramas VI


"[Monte Kithairón cantou em uma competição contra o Monte Helikón:] Essa era a sua música [do Monte Kithairón]; e ao mesmo tempo as Moúsai instruiram os abençoados a colocar as pedras com seus votos secretos nas urnas brilhantes de ouro; e todos se levaram juntos, e Kithairón ganhou o maior número; e Hermés prontamente proclamou com um grito que este tinha ganhado a desejada vitória, e os abençoados o adornaram com guirlandas de abeto,e seu coração se regozijou; mas o outro, Helikón, tomado por uma angústia cruel, arrancou uma pedra lisa, e a montanha estremeceu; e gemendo lamentavelmente ele precipitou-se do alto em dez mil pedras" – Korínna, Fragmento 654


"Ele [Orpheús] cantou sobre aquela época passada [sobre a criação] quando Gaía e Ouranós e Póntos estavam unidos em um único molde; como eles foram separados após uma luta mortal; como as Ástra, Selénê, e o viajante Hélios mantiveram-se fieis aos seus postos no céu; como as Oúrea se elevaram; e como, juntamente com as Nýmphai, os murmurantes Potamoí e todas as criaturas de quatro patas vieram a existir." – Apollónios Rhódios, Argonautiká 1. 498


"Nascimento de Hermés... Ele nasceu da crista do Ólympos, no topo, a morada dos deuses... Ele deslizou para fora de seus panos e começou a andar ao mesmo tempo e desceu do Ólympos. A montanha se regozija com ele, pois seu sorriso é como o de um homem, e deveis assumir que o Ólympos se regozija porque Hermés nasceu ali." – Philóstratos o velho, Imagens 1. 26 [A partir da descrição de uma antiga pintura grega em Neápolis:]

"Pois os mares observando amplamente se ergue, árduo em seu alto elevado, o Tmolos, e por seus pendentes ambas estendendo-se, em Sardes por aqui, por ali na pequena Hipepa termina. Pan ali, enquanto ternas as Nymphae lança seus silvos e leve modula, em seu encerado caniço, sua canção, ousando desprezar perante si de Apollo seus cantos, sob o Tmolos, este de juiz, a uma disputa acudem desiguais.
Em seu próprio monte o ancião juiz se sentou, e seus ouvidos libera de árvores: de carvalho sua cabeleira azul somente cinge, e pendem, ao redor de suas côncavas têmporas, bolotas. E este, ao deus do gado contemplando: “No julgamento”, disse, “nenhuma demora há.” Por dentro seus cálamos agrestes faz soar ele e com sua bárbara canção a Midas –pois era o caso que acompanhava ele ao cantor– cativa. Depois dele sagrado o Tmolos voltou seu rosto para o rosto de Phoebus: ao seu semblante seguiu seu bosque.
Ele, em sua cabeça flava de loureiro do Parnassus cingido, varre a terra com sua camada saturada de tírio púrpura e, guarnecida sua lira de gemas e dentes índios, a sustenta pela esquerda, segura a mão segunda o plectro. De um artista seu porte mesmo era. Então os fios com dotado polegar inquieta, por cuja doçura cativado, a Pan ordena o Tmolos a essa cítara submeter seus caniços.
O julgamento e a sentença do santo monte agrada a todos; o rebate ainda assim e injusta a chama no discurso de Midas apenas. E o Delius seus ouvidos ignorantes não suporta que retenham sua figura humana, senão que as alarga em seu espaço e de pêlos esbranquiçados as preenche, e não estáveis por debaixo as torna e lhes outorga o poder de mover-se: o restante é de humano. Em uma parte lhe condena e se veste as orelhas do que lento avança, o burro.
 Ele certamente escondê-lo deseja, e com vergonhoso pudor suas têmporas com purpurinas tiaras tenta consolar. Mas, o que podia seus longos cabelos cortar a ferro havia visto isto, seu servo, o qual, como tampouco a trair a desonra vista se atrevesse, desejando lançá-lo as auras, e tampouco pudesse calá-lo ainda assim, se afasta e a terra perfura e de seus donos que tenham contemplado as orelhas com voz se refere baixa e a terra dentro murmura, esvaziada, e a acusação de sua voz com terra restituída sepulta e desses buracos tapados tácito se afasta.

Moita de caniços trêmulos ali a levantar-se um bosque começou e, assim que amadureceu no ano pleno, traiu ao seu agricultor, pois movido pelo austro ligeiro as sepultadas palavras se refere e do senhor argumenta as orelhas." - Obídios, Metamorphóseis 11. 150.

“Nox”, disse, “aos arcanos fidelíssima, e os que áureos sucedeis, com a lua, aos diurnos, astros, e tu tricéfala Hecate, que cúmplice de nossas empresas e fautora vens, e cantos e artes dos magos, e a que aos magos, Terra, de potentes ervas equipas, e auras e ventos e montes e fluxos e lagos e deuses todos dos bosques, e deuses todos da noite, assisti, com cuja ajuda quando quis perante suas assombradas margens os fluxos aos mananciais retornaram seus; e agitados acalmo, e quietos agito com meu canto os estreitos; as nuvens expulso e as nuvens congrego, os ventos afugento e chamo, vipéreas mandíbulas rompo com minhas palavras e canção, e vivas rochas e convulsos carvalhos de sua terra, e arvoredos movo e mando tremer os montes e mugir o solo e aos manes sair de seus sepulcros. A ti também, Luna, te arrasto, ainda que de Témessa os bronzes as fadigas tuas reduzem, o carro também com a canção nossa empalidece de meu avô, empalidece a Aurora com nossos venenos. Vós para mim dos touros as chamas neutraliza, e com o curvo arado seu pescoço ignorante de carga afundasteis, vós aos nascidos de serpente contra si ferozes guerras disteis, e ao sentinela rude de sono dormisteis, e o ouro, a seu defensor enganando, mandasteis as gregas cidades. Agora mestre é de jugos, pelos quais renovada a velhice, a flor volta e seus primeiros anos recolhe, e os dareis, pois nem brilharam as estrelas em vão nem em vão pelo pescoço de voadores dracones puxado meu carro aqui está.” Obídios, Metamorphóseis 7. 192.

"Que a ágil deusa [Artemis] espere você [o caçador Hippólytos] na solitária clareira, para mantê-lo seguro, e a profunda floresta renda-lhe feras selvagens para matar; assim os Satyri podem ser seus amigos, e as Numina Montanum (divindades das montanhas), os Panes, e pode o javali cair perfurado totalmente em sua fronte por sua lança; assim as Nymphae... dar-lhe água corrente para aliviar sua ressequida sede!" – Obídios, Heroídes 4. 169
NESOÍ
Na mitologia grega, as Nesoí (em grego Νησοί, “ilhas”) eram as deusas das ilhas, e cada ilha teria sua própria personificação. Foram classificadas como antigas deusas elementares chamadas Prôtógenoi.
De acordo com o filosofo Kalimakos as Nesoi eram antigas deusas das montanhas chamadas, Oroí (em grego  Oρoί), filhas de Gaía, por si mesma, mas Poseidón golpeou-as violentamente e mergulhou-as no mar com seu tridente.
Entre algumas dessas deusas se destacam não somente as Ourea, mas também Theai, Nerêídes e Ôkeanídes: Aígina, Erýtheia, Kalypsó, Kírkê, Rhódê, Nésaiê, e Nésô entre tantas outras.

"Mas não dá motivo de indignação por contar entre as mais destacadas, Quando junto a Ôkeanós e a Titanís Têthýs as ilhas se reúnem e ela [Délos], como guia, abre sempre caminho. Ela, a fenícia Kýrnos, por detrás a acompanha, seguindo seus rastros, ilha nada desprezível, e a Makrís abantiada, morada dos elopios, e a encantadora Sardó, e aquela na qual chegou nadando Kyprís [Aphrodítê] quando pela primeira vez da água saiu: a protege por ter pousado nela a pé. Aquelas ilhas põem sua confiança em torres e atalaias, mas Délos em Apóllôn: que baluarte há mais sólido? Muralhas e arenques podem cair ao impulso do estrimônio Boréas; mas o deus sempre é inabalável. Délos querida, tal protetor te ampara!
E si tão abundantes são os cantos que em torno a ti correm, com qual te atrairei? Que agrada a teu ânimo escutar? Como, em um princípio, o grande deus [Poseidón], os Oúrea (montes) ferindo com a arma de três pontas, labor dos Telkhínes, as ilhas marinhas se aplicava a criar, como a todas de sua mesma base as elevou e mandou rodando ao mar? As outras no fundo, para que o continente esquecessem, lhes fez firmar profundas raízes; a ti não te afligiu tal obrigação, senão que, sem ataduras, pelos mares navegavas. Teu nome antigo era Asteríê, que a uma profundo abismo saltaste desde o céu, por fugir do matrimonio de Zeús, tu, idêntica a uma estrela." – Kallímakhos, Hýmnos 4 para Délos 15


"[Létô, grávida de Apóllôn e Ártemis, foi forçada a vagar pela terra pela rancorosa deusa Héra:] Assim que, após padecer perante muitas fatigas, marchou para as ilhas marinhas. Mas estas não a acolhiam quando se aproximava, nem as Ekhínades, que esplendido embocadouro para as naves possuem, nem a que Korkyra se chama, a mais hospitaleira de todas; que Íris desde o alto do elevado Mímas o impedia, presa de uma fúria muito terrível contra todas. Elas, perante suas ameaças, a toda velocidade fugiam seguindo a corrente, as ilhas com que se encontrava. Logo a outrora ilha de Kós, terra de Mérôps, chegou, da heroína Khalkiópê sacro recinto, mas a ela a retinham estas palavras de seu filho: “Tu, mãe, não me dês aqui à luz. Pois nem a censuro nem desdenho a ilha, que é esplendida e rica em pasto, qual nenhuma outra. Mas é que a ela as Moírai outro deus lhe deviam" – Kallímakhos, Hýmnos 4 para Délos 153

"A heroína coroada com juncos –pois sem dúvida você vê a figura feminina no pé da montanha, de forma robusta e vestida de azul – é a ilha de Skýros, meu rapaz, como o divino Sophoklés disse ‘varrida pelo vento.’ Ela tem um ramo de oliveira em suas mãos e um burifador de vinho." – Philóstratos o jovem, Imagens 1

OURANÓS


OURANÓS
Na mitologia grega, Ouranós (em grego, Ουρανός, “céu”) também chamado de Akmôn (Ακμων, “incansável”) ou de Aíôn (Αιων, “eterno”) era um Theós Prôtógonos que personificava o céu. Foi gerado espontaneamente por Gaía, a Terra, e casou-se com sua mãe. Ambos foram ancestrais da maioria dos Theoí Hellenioí, mas nenhum culto dirigido diretamente a Ouranós sobreviveu até a época clássica, e o Theós não aparece entre os temas comuns da cerâmica grega antiga. No entanto, Gaía, Ouranós e Stýx podiam ser nomeados em uma solene invocação na épica homérica.
Ouranós teve numerosos filhos-imãos, entre os quais os Titânes e as Titânides, os Kýklôpes e os Hekatónkheires. Odiava seus filhos e por isso mantinha todos presos no interior de Gaía, a Terra. Esta então instigou seus filhos a se revoltarem contra o pai. Krónos, o mais jovem, assumiu a liderança da luta contra Ouranós e, usando uma foice oferecida por Gaia, castrou seu pai e jogou seus testículos em Thálassa. Formou-se uma espuma, da qual brotou Aphrodítê, a Theá do amor. Do ikhór de Ouranós que caiu sobre Gaia, nasceram os Kouretes e as Meliades e do ikhôr que caiu sobre Nýx, nasceram as Erinýes, e sobre Hémera, nasceram as Moúses.
Seu equivalente na mitologia romana é Caelus ou Coelus - do qual provém caelum ou coelum, a palavra latina para "céu".
KOSMOGONÍA
Ouranós foi gerado por Gaía, que o produz “com suas mesmas proporções”. Este ato de produção assexuado foi concebido como uma versão teogônica do princípio cosmogônico da separação do céu e da terra a partir de uma massa indistinta. Ouranós é o consorte de Gaía, esta união é motivo de frequente aparição em mitos e rituais. Ouranós vinha todas as noites cobrir Gaía, deles nascem um conjunto de divindades, os Titánes, os Kýklôpes e os Hekatónkheires. Mas Ouranós odiava os filhos que esta gerava.
Os maiores descendentes de Ouranós são os Titánes e as Titanídes, seis filhos e seis filhas, os gigantes de cem braços, os Hekatónkheires, e os gigantes com um só olho, os Kýklôpes.
Ouranós aprisionou os filhos mais novos de Gaía nas profundezas do Tártaros, nas entranhas da terra, causando grande dor a Gaía. Ela forjou uma foice e pediu aos filhos para castrarem Ouranós. Apenas Krónos, o mais jovem dos Titánes, concordou. Ele emboscou seu pai, castrou-o e lançou os testículos cortados em Thálassa.
Do ikhór derramado de Ouranós sobre Gaía nasceram os Kourétes e as Meliádes, e sobre Nýx as três Erinýes, e sobre Heméra as três Moúses.
A partir dos testículos lançados em Thálassa nasceu Aphrodítê. Alguns dizem que a foice ensanguentada foi enterrada na terra e daí nasceu à fabulosa tribo dos Phaíakes e dos Kýklôpes Sikelíoi.
Ouranós profetizou que os Titánes teriam um castigo justo por seu crime, antecipando a vitória de Zeús sobre Krónos.
Depois de Ouranos ter sido deposto, Krónos aprisionou novamente os Hekatónkheires e os Kýklôpes no Tártaros. Ouranós e Gaía profetizaram que Krónos, por sua vez, estava destinado a ser derrubado por seu próprio filho, e assim o Titán tentou evitar essa fatalidade devorando os seus filhos. Zeús, graças a artimanhas de sua mãe Rheía, conseguiu evitar este destino.
Depois da sua castração, o céu não veio mais para cobrir a terra à noite, cigindo-se ao seu lugar, e "a geração original chegou ao fim". Ouranós era raramente considerado como antropomórfico, exceto as genitais do mito da castração. Ele era simplesmente o céu, o qual foi concebido pelos antigos como um grande teto circular de bronze girando num eixo, sustentado pelo Titán Átlas.
CONSORTES E DESCENDENTES
Quase toda a descendência de Ouranós originou-se de sua união com Gaía, exceto as Moúses, filhas de sua união com Heméra, as Erinýes, filhas de sua união com Nýx e Aphrodítê, nascida quando Krónos o castrou e arremessou os genitais mutilados em Thálassa.
v    Filhos de Ouranós com Gaía:
1.   Kýklôpes, gigantes de um olho só.
§         Bróntês
§         Stéropês
§         Árgês
2.   Hekatónkheires, gigantes de cem braços e cinquenta cabeças.
§         Briáreôs
§         Kóttos
§         Gýgês
3.   Titánes e Titanídes, deuses anciões.
§         Koíos
§         Kreíos
§         Krónos
§         Ôkeanós
§         Hyperíôn
§         Iapetós
§         Mnemosýnê
§         Phoíbê
§         Rheía
§         Têthýs
§         Theía
§         Thémis
v    Filhas de Ouranós e Nýx
4.   Erinýes, deusas da vingança.
§         Alektó
§         Mégaira
§         Tisíphonê
v    Filhas de Ouranós e Heméra
5.   Moúses, deusas da memória.
§        Mnémê
§        Melétê
§        Aiódê
v    Filhos do ikhór de Ouranós sobre Gaía
6.   Meliádes, Nýmphai guerreiras nascidas do freixo
7.   Kourétes, místicos Hóplites orgiásticos
8.   Phaíakes, tribo mística da ilha Skhéria.
9.   Kýklôpes Sikelioi, tribo de Gigántes da Sikelía.
v    Filha do spérma de Ouranós sobre Thálassa
10.                        Aphrodítê
OURANÓS E VARUNA
A identificação de Ouranós con o Varuna védico provem do nível cultural indo-europeu mais primitivo. A identificação de elementos míticos compartilhados por essas duas divindades era baseada em grande medida nas interpretações lingüísticas, mas não propunha uma origem comum, baseada em parte em uma raíz proto-indo-européia proposta ŭer com o significado “atar” (Varuna ata aos malvados, Ouranós ata aos filhos) é amplamente repelida por aqueles que encontram uma provável etimologia do proto-grego worsanos, da raíz proto-indo-européia wers, “umidecer”, “gotejar” (referido a chuva).
REPRESENTAÇÃO
Como elemento físico, Ouranós era o limite superior do universo, o teto do mundo, sólido, concebido como bronzêo (χάλκεος) ou  como ferrêo (σιδήρεος). A maioria dos especialistas acredita que o céu era concebido como uma abóbada, embora os domos sejam pouco freqüentes depois do período micênico, o céu era pensado como plano e paralelo a terra, posto que si tivesse forma de abóbada não se poderia explicar a necessidade de que Atlas mantivesse separada desta a uma estrutura semelhante. No épico grego é frequente a qualificação de Ouranós como “estrelado” (ἀστερόεντος).
Nos hinos homéricos, Ouranós é às vezes um nome alternativo do Ólympos como residência dos Theoí, como ocorre no final do livro I da Iliáda, quando Thétis surge do mar para suplicar com Zeús: “saindo dentre as ondas de Póntos, subiu bem cedo ao grande Ouranós e ao Ólympos, e encontrou ao longevidente Kroníôn sentado aparte”.
Ólympos (Ὀλυμπος) é usado quase sempre para esse lar, mas Ouranós (Οὐρανός) alude frequentemente ao céu natural acima de nós sem alusão alguma a que os Theoí vivessem ali.
Estes antigos mitos de origens distantes não constam em cultos Hellenos. O papel de Ouranós é o e um deus derrotado de um tempo anterior ao tempo real. Após sua castração, o Céu não voltou a cobrir a Terra pela noite, senão que ocupou seu lugar, e “os pais originais chegaram a seu fim”.
PLANETA URANO
Os antigos gregos e romanos sabiam de apenas cinco “estrelas errantes” (em grego πλανήται, “planetas”): Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Na seqüência da descoberta de um sexto planeta no século XVIII, o nome Ouranus foi escolhido como o complemento lógico para a série: para Marte (Árês, em grego) era o filho de Júpiter (Zeús), este, filho de Saturno (Krónos), e este, filho de Coelum (Ouranós).
A perda do épico Titanomakhía atribuído a Eúmelos de Korínthos incluía uma Kosmogonía. Provavelmente era similar em muitos aspectos ao de Hesíodos, mas com alguns pontos divergentes e significativos, Ouranós, Gaía e Póntos, por exemplo, eram aparentemente, representados como filhos de Aithér e Heméra.
HINO A OURANÓS
"Para Ouranós, queimação de incenso. Grande Ouranós, cuja poderosa estrutura não conhece pausa, o pai de todos, desde que surgiu o mundo, ouve, pai generoso, fonte e fim de tudo, para sempre girando em volta desta esfera terrena; morada dos deuses, cujo poder protege e envolve eternamente os limites do mundo, cujo amplo peito, e pregas cercavam as extremidades necessárias para a natureza se manter. Etéreo, terreno, cujos vários moldes, azul e cheio de formas, nenhum poder pode domar. Toda a fonte, vinda de Kronos, para sempre abençoada, divindade sublime, propício a um brilho romântico místico, e coroa os seus desejos com uma vida divina."


KOSMOGONÍA DE HESÍODOS

 “Antes de todas as coisas era o Kháos; e depois Gaía a de amplo seio, assento sempre sólido de todos os Imortais que habitam os cumes do nevado Ólympos e o Tártaros sombrio escavado nas profundezas da terra espaçosa; e depois Érôs, o mais formoso entre os Deuses Imortais, que rompe as forças, e que de todos os Deuses e de todos os homens domina a inteligência e a sabedoria em seus peitos. E de Kháos nasceram Érebos e a negra Nýx, Aithér e Heméra nasceram, porque os concebeu ela após unir-se em amor a Érebos. E primeiro pariu Gaía a seu igual em grandeza, a Ouranós estrelado, com o fim de que a cobrisse por inteiro e fosse uma morada segura para os Deuses ditosos. E depois pariu aos Oúrea enormes, frescos retiros das divinas Nýmphes que habitam as montanhas abundantes em vales pequenos; e depois, o mar estéril que bate furioso, Póntos; mas a estes os gerou sem unir-se a ninguém nas suavidades do amor. E depois, concubina de Ouranós, pariu a Ôkeanós o de redemoinhos profundos, e a Koíos, e a Kreíos, e a Hyperíôn, e a Iapetós, e a Theía, e a Rheía, e a Thémis, e a Mnemosýnê, e a Phoíbê coroada de ouro, e a amável Têthýs. E o último a quem pariu foi o sagaz Krónos, o mais terrível de seus filhos, que cobrou ódio por seu pai vigoroso.” – Hesíodos, Theogonía.


KOSMOGONÍA DE EÚMELOS

O épico perdido intitulado Titanomakhía, atribuído a Eúmelos de Korínthos, incluía a Kosmogonía. Provavelmente era semelhante em muitos aspectos ao de Hesíodos, mas com alguns pontos significativos de divergência: Ouranós, Gaía e Póntos, por exemplo, eram aparentemente representados como filhos de Aithér (Luz) e Heméra (Dia).

"De acordo com o escritor da Guerra dos Titánes Ouranós era filho de Aithér." – Eúmelos de Korínthos ou Arktínos de Míletos, Titanomakhía Fragmento 2.


"[Ouranós era chamado de] rotativo Akmonídês (filho de Akmôn). [Akmôn poderia ser um nome de Aithér]." – Kallímakhos, Fragmento 498.

"De Aether (Luz) e Dies (Dia) [nasceu]: Terra (Terra), Caelum (Céu), Mare (Mar)." – Hygínos, Prefácio.


"Se ele [Cronus] é um Deus, devemos então admitir que seu pai Caelus (Céu) é um Deus. E neste caso, os pais de Caelus, Aether (Luz) e Dies (Dia), devem ser considerados Deuses." – Kíkeron, De Natura Deorum 3. 17.


KOSMOGONÍA DE ALKMÁN

"O pai de Ouranós, como já foi dito, é chamado de Akmôn porque o movimento celestial é incansável (akamatos); os filhos de Ouranós são os Akmonídai: os antigos fazem destes dois pontos claros. Alkmán, dizem eles, conta que o céu pertence a Akmôn." – Alkmán, Fragmento 61. [N.B. o texto também pode ser lido como "Ouranos é Akmôn."]


"Assim, ao mesmo tempo surgiu, Póros (Criador) e Tékmôr (Ordenadora) e Skótos (trevas). ‘Amára (Dia) e Mélaina (Lua) e o terceiro, Skótos (Trevas) assim como as Marmarugas (Centelhas) [estrelado Ouranós ou Aithér]." – Alkmán, Fragmento 5. 


KOSMOGONÍA DE ORPHEÚS

“No princípio só existiam Kháos e Nýx, o negro Érebos e o profundo Tártaros; Gaía, Aér e Ouranós não haviam nascido, todavia; por fim, Nýx de negras asas pôs no seio infinito do Érebos um ovo sem germe, do qual, após o processo de longos séculos, nasceu o desejoso Érôs com asas de ouro resplandecente, e rápido como o vento tempestuoso. Érôs, unindo-se nos abismos do Tártaros ao Kháos alado e tenebroso, gerou nossa raça, a primeira que nasceu à luz. A dos imortais não existia antes que Érôs misturasse os germes de todas as coisas; mas, ao confundi-los, brotaram de tão sublime união Ouranós, Gaía, Ôkeanós e a raça eterna das divindades bem-aventuradas. É aqui como nós somos muitíssimo mais antigos que os deuses.” – Aristophánês, Órnithes 685.

"Ele [Orpheús] cantou sobre essa época passada, quando Gaía (Terra) e Ouranós (Ceú) e Póntos (Mar) estavam unidos em um único molde; como eles foram separados após uma luta mortal." – Apollónios Rhódios, Argonautikés 1. 498

"Ouranós (Ceú), filho de Nýx (Noite), que se tornou o primeiro rei antes de todos." – Orphiká Theogonía, Fragmento.

"Originalmente havia Hýdros, diz Orpheús, e lama, a partir do qual Phúsis se solidificou: ele postula esses dois como os primeiros princípios, água e terra... Antes dos dois havia Thésis, no entanto, ele não deixa claro, se o seu próprio silêncio seja uma indício de sua natureza inefável. O terceiro princípio, foi gerado em seguida por estes, Phúsis e Hýdros, que foi é e, será uma serpente com cabeças adicionais crescendo sobre si, uma de touro, uma de leão e o rosto de um deus no meio, que tinha asas sobre seus ombros, e seu nome era Khrónos e também Heraklés. Unida com ele estava Anánkê, sendo da mesma natureza, incorpóreo, ou Adrásteia, os braços estendidos por todo o universo e tocando suas extremidades. Acredito que esse representa o terceiro princípio, ocupando o lugar da essência, só que Orpheús o tornou bissexual [como Phánes] para simbolizar a causa geradora universal. E assumo que a Teologia das Rapsódias Órficas descartou os dois primeiros princípios (juntamente com o anterior aos dois, que não foi citado) [isto é, os Órficos descartaram os conceitos de Thésis, Khrónos e Anánkê], e começou a partir deste terceiro princípio [Phánes] após os dois, porque este foi o primeiro que foi exprimível e aceitável aos ouvidos humanos. Pois este é o grande Khrónos que encontramos nas Rapsódias, o pai de Aithér e Kháos Com efeito, nesta teologia também [Hierónymos], este Khrónos, a serpente teve filhos, em número de três: úmido Aithér, ilimitado Kháos, e como um terceiro, nebuloso Érebos... Entre estes, diz ele, Khrónos gerou um ovo, essa tradição também torna-o gerado por Khrónos, e nascido "entre" estes, porque é a partir destes que a terceira tríade Inteligível é produzida [Phánes] O que é essa tríade, então? O ovo, a díade das duas naturezas formadas em seu interior (masculino e feminino) e a pluralidade entre as várias sementes e em terceiro lugar um deus incorpóreo com asas douradas nos ombros, cabeças de touros crescendo em seus flancos, e na cabeça uma serpente monstruosa, apresentando a aparência de todos os tipos de formas animais... E o terceiro deus da terceira tríade nesta Teologia também comemora como Protógonos [Phánes], e ele chama de Zeús a ordem de tudo e do mundo inteiro, portanto ele também é chamado de Pán. Tanto nessa segunda fonte genealógica relativa aos princípios inteligíveis."   Orphikós, Fragmentos 54.

"Os deuses, como eles [os gregos] dizem, não existiam desde o início, mas cada um deles nasceu como nós nascemos... e Orpheús, que foi o inventor original dos nomes dos deuses e contou sobre seus nascimentos e disse o que todos eles fizeram, e que desfruta de algum crédito entre eles como um verdadeiro teólogo, e é geralmente seguido por Hómêros, sobretudo, a respeito dos deuses, também fazendo sua primeira gênese da água: Ôkeanós, que é a gênese de tudo. Hýdros (Água), era de acordo com ele, a origem de tudo, e de Hýdros a lama foi formada, e deles um ser vivo foi gerado com cabeças adicionais crescendo sobre ela, de um leão, e outra de um touro, e no meio delas o semblante de um deus; seu nome era Heraklés e Khrónos (tempo) deste Heraklés foi gerado um enorme ovo, que, sendo completamente preenchido, pela força de sua geração foi dividido em dois pelo atrito. Sua copa se tornou Ouranós (Céu), e o que tinha afundado para baixo, Gaía (Terra). De lá também saiu um deus incorpóreo [Prôtógonos-Phánes]." – Orphiká, Theogonía, Fragmento 57.

"E Epikoúrios disse que o mundo começou, semelhante a um ovo, e o Vento [as formas entrelaçadas de Khrónos e Anánkê] ​​Circundando o ovo na forma de uma serpente como uma coroa ou um cinturão de flores, então começou a contrair a natureza. Conforme tentou espremer toda a matéria com maior força, ele dividiu o mundo em dois hemisférios, e depois que os átomos se ordenaram para fora, os mais leves e mais finos do universo flutuaram para cima e tornaram-se o Ar brilhante [Aíther] e o Ar mais rarefeito [Kháos], enquanto o mais pesado e mais sujo se lançou para baixo, tornado-se a Terra [Gaía], tanto a secura da terra quanto o fluido das águas [Póntos]. E os átomos se movem por si mesmos e por si mesmos dentro da revolução do céu e das estrelas. Tudo ainda está sendo impulsionado pelo circular vento serpentiforme [Khrónos e Anánkê]" – Epikoúrios, fragmentos.


KOSMOGONÍA DE OBÍDIOS

"Antes de Mare [Póntos], Terra [Gaía] e Coelum [Ouranós] que tudo cobre, Natura [Phýsis] tinha, em todo o orbe, um só rosto a que chamaram Chaos [Kháos], massa rude e indigesta; nada havia, a não ser o peso inerte e díspares sementes mal dispostas de coisas sem nexo, e cada coisa obstava outras, pois num só corpo o frio combatia o quente, o seco o úmido, o mole o duro, e o peso o que não tinha peso.
Ainda nenhum Titan [Titán] iluminava o mundo, nem Phoebe [Phoíbê], no crescente, os chifres renovava, nem Terra [Gaía] pendia no Aer [Kháos] circunfuso, suspensa no seu peso, nem, por longas margens, os seus braços havia espraiado Salacia [Thálassa]. E como ali houvesse terra e mar e ar, instável era a terra, a onda inavegável e o ar sem luz; a nada aderia uma forma.
Deus [Kósmos] de outra natureza esta luta sanou, pois de Coelum [Ouranós] separou Terra [Gaía], e desta Maré [Póntos], e do Aer [Khaós] espesso um Aether [Aithér] límpido discerniu. E depois que os tirou do disforme conjunto, cada qual num lugar ligou, em paz concorde.
Do convexo Coelum [Ouranós], força ígnea e sem peso surgiu e se firmou no mais alto da abóbada; o Aether [Aithér], dela, se aproxima em leveza e lugar; mais densa, Terra [Gaía] atrai os grandes elementos e é premida por seu peso; Mare [Póntos] circunfluxo ocupou o restante e cercou o orbe sólido.
Assim aquele Deus [Kósmos], fosse qual fosse, a massa, primeiro, dividiu em lotes e ordenou, para que igual ficasse em toda a parte, dando à Terra [Gaía] a aparência de um imenso orbe.
Então Mare [Póntos] romper-se com os ventos rápidos mandou e circundar os litorais de Terra [Gaía]. Reuniu pântanos, fontes e grandes lagoas, por entre sinuosas margens cingiu rios, que em parte se absorvem em vários locais, em parte vão ao mar, e acolhidos no campo de águas livres, em vez de margens, tocam praias. Mandou dilatar campos, vales abaixar, selvas cobrir de folha, erguer montes rochosos.
E, como há em Coelum [Ouranós] duas zonas à direita e outro tanto à esquerda e uma quinta mais tórrida, assim um deus zeloso o globo dividiu por igual, e outras tantas plagas tem a Terra [Gaía]. Por causa do calor, não se habita a mediana, cobre duas a neve; entre ambas pôs as outras, que, misturando fogo ao frio, temperou.
Cobre-as o Aer [Kháos], que tanto é mais leve que a terra e a água, quanto mais pesado do que o fogo. Lá as névoas, e lá as nuvens, pendurar mandou, também trovões que aterram mente humana e os ventos que, com raios, rabiscam relâmpagos.
O criador do mundo, no entanto, não lhes deu a posse do ar ao léu; a custo, agora, impede-os, embora cada qual assopre em sua rota, de o mundo varrer, pois grande é a rixa entre irmãos. Eurus [Eurós] se foi à Matuta [Eós], aos reinos nabateus, à Persia e às montanhas sob luz matutina; Vesper [Hésperos] e as praias, mornas pelo sol poente, de Phavonius [Zéphyros] estão perto; a Scythia e o setentrional Aquilous [Boréas] frio invadiu; a região contrária se umedece de chuva e assíduas nuvens de Austrus [Nótos].
Em cima pôs o Aether [Aithér] límpido e sem peso, que nenhuma impureza terrena contém. Logo que dispôs tudo em seus limites certos, estrelas, muito tempo sob profundas trevas, põem-se a cintilar na vastidão do céu.
Para que não houvesse lugar sem ser vivo, astros e deuses moram em solo celeste, coube aos peixes brilhantes habitar as ondas, às feras coube a terra, o ágil ar às aves. Um animal mais nobre e mais inteligente, que dominasse os outros, ainda faltava.
Nasceu o homem, ou fê-lo com sêmen divino o autor de tudo, origem de um mundo melhor, ou Terra [Gaía] recém-separada do alto Aether [Aithér] retinha o sêmen de Coelum [Ouranós], seu irmão; misturando-a à chuva, o nascido de Iapetus [Iapetós] plasmou-a à imagem de deuses potentes; os outros animais, curvos, miram a terra, ao homem, dando olhar sublime, o céu mirar mandou e dirigi-lo, o porte ereto, aos Astros.
Assim a terra, há pouco rude e disforme, transformou-se em figuras inéditas de homens." – Obídios, Metamorphóseis.

"Depois de Chaos [Kháos], quando o mundo adquiriu três elementos e toda a estrutura mudou para uma nova forma, terra cedeu sob o seu peso e arrastou os mares [Póntos] para baixo, mais leve, elevou-se o céu [Ouranós] para cima. O sol, também, saltando, não acorrentado pela gravidade, e as estrelas, e vós cavalos da lua. Terra [Gaía] por um longo tempo não deus a Caelus [Ouranós]. Em as estrelas para Phoebus [Hélios]. Todos postos como iguais." – Obídios, Phaste 5. 9.

"Gaía (Terra) produziu Aithér [ou Ouranós] pontilhado com sua tropa de estrelas: Você [Diónysos] teve seu nascimento a partir de Ouranós (Ceú), mas minha Gaía (Terra) te encobrirá por cima. O próprio Kronos... foi encoberto no seio de Gaía [ou seja, no Tártaros], embora ele fosse filho de Ouranós." – Nónnos, Dionysiaká 27. 50

"[O monstro Typhôeús fala a Zeús:] Ouranós (Céu) é meu irmão, um filho de Gaía assim como eu." – Nónnos, Dionysiaká 2. 334. 


REINADO E CASTRAÇÃO DE OURANÓS

 

"Dizei como nasceram em um princípio com os Theoí, Gaía e os Potamoí, e o imenso Póntos que bate furioso e os Ástra resplandecentes e, por cima, o amplo Ouranós. Dizei também que Theoí, manancial de bênçãos nasceram deles; e como, apos repartir-se na origem honras e riquezas, se apoderaram do Olýmpos, o de numerosos cumes." – Hesíodos, Theogonía 44.

 

"E depois, concubina de Ouranós, pariu a Ôkeanós o de redemoinhos profundos, e a Koíos, e a Kreíos, e a Hyperíôn, e a Iapetós, e a Theía, e a Rheía, e a Thémis, e a Mnemosýnê, e a Phoíbê coroada de ouro, e a amável Têthýs. E o último a quem pariu foi o sagaz Krónos, o mais terrível de seus filhos, que cobrou ódio por seu pai vigoroso.
E pariu também aos Kýklôpes de coração violento, Bróntês, Sterópês e o valoroso Árgês, que entregaram a Zeús o trovão e forjaram o raio. E eram em tudo semelhantes aos demais Deuses, mas tinham um olho único no meio da testa. E seus trabalhos transbordavam em força, vigor e poder.
E depois, de Gaía e de Ouranós nasceram outros três filhos, grandes, muito fortes, horríveis de nomear: Kóttos, Briáreôs e Gýgês, raça soberba. E de seus ombros saiam cem mãos indomáveis, e cada um deles tinha cinqüenta cabeças que se erguiam sobre as costas, por cima de seus membros.
De todos os filhos nascidos de Gaía e Ouranós, eram os mais poderosos. E desde sua origem foram odiados por seu pai. E conforme nasciam, um após o outro, os sepultou, privando-os da luz, nas profundezas de Gaía. E se alegrava desta má ação, e a grande Gaía gemia, por sua parte, cheia de dor. Logo, ela abrigou um desígnio mau e artificioso.
—Queridos filhos meus, descendentes de um pai culpado, si quereis obedecer-me, tomaremos vingança da ação injuriosa de vosso pai, porque ele foi quem primeiro meditou um desígnio cruel.
Falou assim, e o temor invadiu a todos, e não respondiam nenhum deles. Por fim, recobrando ânimo o grande e sagaz Krónos disse assim a sua mãe venerável:
—Mãe, em verdade te prometo que levarei a cabo esta vingança. Efetivamente, já não tenho respeito por nosso pai, porque ele foi quem primeiro meditou um desígnio cruel.
Falou assim, e a grande Gaía se regozijou em seu coração. E lhe escondeu numa emboscada, e lhe pôs na mão a foice de dentes cortantes, Megas Drepanôn, e lhe confiou todo seu desígnio. E chegou o grande Ouranós, trazendo a noite, e se estendeu sobre Gaía por inteiro e com todas as suas partes, cheio de um desejo de amor. E fora da emboscada, seu filho lhe pendurou a mão esquerda, e com a direita agarrou a foice horrivelmente, imensa, de dentes cortantes. E ceifou rapidamente as partes genitais de seu pai, e as lançou atrás de si. E não se escaparam em vão de sua mão.
Gaía recolheu todas as gotas sangrentas de Ikhór, que manaram da ferida; e transcorrido os anos, pariu as robustas Erinýes e aos grandes Gigántes de armas resplandecentes, que levam na mão longas lanças; e as Nýmphai que na terra imensa são chamadas Méliai.
E as partes que havia ceifado, Krónos as mutilou com o aço, e as lançou desde a terra firme ao mar de ondas agitadas. Flutuaram muito tempo sobre o mar, e de despojo imortal brotou branca espuma, e dela saiu uma jovem. E primeiro foi levada esta até a divina Kýtheres; e dali, a Kýpros a rodeada de ondas." – Hesíodos, Theogonía 126

"O ciclo épico começa com o mito da união de Ouranós e Gé, por que eles tiveram três filhos Hekatónkheiroi e três Kýklôpes que nasceram dele" – Eúmelos de Korínthos ou Arktinos de Míletos, Titanomakhía Fragmento 1

"Salve, mãe dos deuses, esposa do estrelado Ouranós." – Homêrikós Hýmnos 30 para Gaía.

"Akousílaos disse... que quando Ouranós foi castrado gotas começaram a fluir abaixo da terra e os Phaíakai nasceram a partir destas;... Alkaíos também diz que os Phaíakai têm sua origem nas gotas que caíram de Ouranós." – Alkaíos, Fragmento 441

"Do sangue que fluiu das genitais [de Ouranós] três Erinýes nasceram em primeiro lugar na terra, Teisephónê, Mégaira e Alektó com elas; e juntamente com elas quatro famosos Telkhínes: Aktaíos, Megalésios, Órmenos e Lýkos."Bakkhylídês, Fragmento 52 [provavelmente eram identificados com os Kourétes-Dáktyloi]

"Aítna é uma montanha da Sikelía, nomeada depois de Aítna, filha de Ouranós e Gé, de acordo com Alkimos em sua obra sobre a Sikelía." – Simonídês Fragmento 52

"Aquele [Ouranós] que um dia foi poderoso, inflamado com insolência por cada luta, não deve sequer ser nomeado como se já houvesse existido; e aquele [Krónos] que surgiu mais tarde, conheceu seu destruidor [Zeús] e passou e se foi." – Aiskhýlos, Agamémnôn 168

"[Os Titánes:] a raça surgiu de Ouranós (genna ouranios)." - Aiskhýlos, Prometheús Dêsmótês 165

"Os Titánes, filhos de Ouranós e Khthón." – Aiskhýlos, Prometheús Dêsmótês 207

"Será que eu [o Titán Prometheús] não vi dois soberanos [Ouranós e Krónos] expulsos destas alturas [do céu]?" – Aiskhýlos, Prometheús 955

"[Prometheús:] Vós, raça dos Titánes, filhos de Ouranós, meus parentes de sangue!" Aiskhýlos, Prometheús Lyómenos Fragmento 107

"Os homens acreditam que Zeús... colocou seu pai
[Krónos] em amarras porque ele perversamente devorou seus filhos, e ele por sua vez, havia mutilado seu pai [Ouranós] por razões semelhantes." – Plátôn, Euthyphros 5e

"Ouranós foi o primeiro que governou sobre todo o mundo. Casado com Gaía gerou em primeiro lugar aos chamados Hekatónkheires: Briáreôs, Gýgês e Kóttos, que eram invencíveis em tamanho e força e tinham cem mãos e cinqüenta cabeças.
Após estes, Gaía deu à luz aos Kýklôpes: Árgês, Sterópês e Bróntês, cada um deles com um só olho no meio da testa. Mas Ouranós os aprisionou e os lançou ao Tártaros (lugar tenebroso que se encontra no Haídês tão distante da Terra, como a Terra é do Céu).
E de novo gerou filhos de Gaía, os chamados Titánes: Ôkeanós, Koíos, Hyperíôn, Kreíos, Iapetós e Krónos, o mais jovem de todos; a as filhas chamadas de Titanídes: Têthýs, Rheía, Thémis, Mnemosýnê, Phoíbê, Diónê e Theía.
Gaía, indignada pela destruição de seus filhos lançados ao Tártaros, convenceu aos Titánes para que atacassem seu pai; e entrega uma foice a Krónos. Estes, as margens de Ôkeanós, atacaram e Krónos corta os genitais de seu pai e os lançou ao mar. Das gotas de sangue que manavam, nasceram as Erinýes: Alektó, Tisíphonê e Mégaira, Após expulsarem do poder ao seu pai, libertaram aos irmãos que haviam sido lançados ao Tártaros e deram o poder a Krónos." - Pseudo-Apollódôros, Bibliotheké 1. 1 - 3


"No mar Keraunós, de frente para o estreito Iónios, há uma ilha rica e espaçosa, sob o solo do qual dizem que está deitado (tenha paciência comigo, Moúsai; isto me dá pouco prazer de recordar o velho conto) a foice utilizada por Krónos para castrar seu pai Ouranós... Desta foice a ilha obteve o seu nome de Drepánê, a sagrada nutriz dos Phaíakai, que por isso mesmo traçam sua ascendência de Ouranós." Apollónios Rhódios, Argonautiká 4. 982

"Os construtores fizeram fortes torres de madeira com ameias [construindo a cidade de Zánklê na Sikelía], e colocou-as em torno da foice de Krónos –ali, em uma caverna está escondida debaixo da terra a foice com a qual ele cortou as genitais de seu pai [Ouranós]. " – Kallímakhos, Aetia Fragmento 43 [N.B. A foice foi enterrada perto de onde a cidade de Zánklê "a foice"foi fundada.]

"Os Titánes, numerados em seis homens e cinco mulheres, nasceram, como alguns escritores do mýthos dizem a respeito, de Ouranós e Gé, mas de acordo com outros, de um dos Kourétes e Titaía, sua mãe, de quem deriva o nome que eles possuem. Os barões eram Krónos, Hyperíôn, Koíos, Iapetós, Kríos e Ôkeanós, e suas irmãs eram Rhéa, Thémis, Mnemosýnê, Phoíbê e Têthýs [Diódôros omite Theía]." – Diódôros Sikelíos, Livraria da História 5.66.1.

"[Ao lado de Bolína, Akhaía] um cabo se projeta para o mar, e sobre ele é contado uma história de como Krónos jogou no mar dali, a foice com a qual ele mutilou seu pai Ouranós. Por esta razão eles chamam o cabo de Drepánôn." – Pausanías, Descrição da Grécia 7. 23. 4 [N.B. drepánôn significa "foice"]

"Aphrodítê nasceu do mar (thalattê) através de uma emanação de Ouranós... [os khorôdoí] cantam com bastante clareza sobre o seu nascimento, pois olhando para cima, eles indicam que ela é do céu (ouranós), e movendo ligeiramente suas mãos voltadas para cima eles mostram que ela veio do mar." – Philóstratos o velho, Imagens 2. 1

"Krónos que realizou um grande feito sobre Ouranós, filho de Nýx, que se tornou o primeiro rei de todos; seguindo novamente Kronós, e em seguida Zeús, o inventor." Theogonía Orphiká, Fragmento.

"[De Caelum (Ouranós) e Terra (Gaía) nasceram:] Oceanus, Themis, Tartarus, Pontus; e Titanes: Briareus, Gyes, Steropes, Atlas, Hyperion e Polus [Koíos], Saturnus [Krónos], Ops [Rhéa], Moneta [Mnemosýnê], Dione [Aphrodítê]; e as três Phuriae [Erinýes], chamadas de Alecto, Megaera, Tisiphone." - Pseúdo-Hygínos, Prólogos.

"Outra teoria também, de forma cientifica, tem sido a fonte de um número de divindades, que vestidas de forma humana forneceram aos poetas lendas e encheram a vida dos homens de superstições de todos os tipos. Este assunto foi tratado por Zeno e mais tarde foi explicado com mais detalhes por Cleanthes e Chrysippus. Por exemplo, uma antiga crença prevaleceu por toda a Grécia de que Caelus [Ouranós] foi mutilado por seu filho Saturnus [Krónos], e o próprio Saturnus foi lançado a prisão por seu filho Ioue [Zeús]: Agora estas fábulas imorais consagraram uma teoria cientifica decididamente inteligente. Seu significado é de que o maior elemento do éter celestial ou fogo [que é Ouranós], que por si só gera todas as coisas, é desprovido daquela parte do corpo que é necessária para união com outro para a obra da procriação." – Kikeron, De Natura Deorum 2. 24

"As nuvens se abriram, e Caelus [Ouranós] admitiu sua filha [Aphrodítê]; e a região superior alegremente saudou a deusa." Apouleiós, O asno de ouro 6. 6

"A água não concebeu Aphrodítê por uma criação celestial [Ouranós], e a trouxe diante das profundezas?" – Nónnos, Dionysiakás 1. 86

"[Uma Naiás vê Semélê nadando em seu fluxo e a imagina como uma segunda Aphrodítê:] Será que Krónos, depois da primeira Kýpris [Aphrodítê], voltou a cortar o lombo de seu pai [Ouranós] com a foice emasculadora até que a espuma tivesse uma mente e a água tomasse forma em um nascimento auto-aperfeiçoado, entregando uma jovem Aphrodítê para o mar?" Nónnos, Dionysiakás 7. 222

"Quando o deus [Hélios] terminou de falar, a donzela [Hórê] amante do vinho virou os olhos em torno, e correu para o local. Ao lado da parede oracular ela viu a primeira tabuleta, antiga como o passado infinito, contendo todas as coisas em um: por sobre tudo isso estava Ophíôn, aquele senhor supremo, que tinha feito tudo o que o antigo Krónos conquistou: quando ele cortou com o arado o sexo masculino de seu pai [Ouranós] e semeou as vastidões profundas com essas sementes na parte costeira da estéril filha do mar (Thálassa),"Nónnos, Dionysiakás 12. 43

"Quando as gotas férteis de Ouranós, derramadas com desordem do sangue masculino, mãos dando forma infantil para a fértil espuma e dando à luz a Páphia [Aphrodítê]." – Nónnos, Dionysiakás 13. 435

"[Zeús] em sua primeira juventude batalhou do Ólympos com os Titánes, nascidos da terra, quando ele era apenas um menino... Krónos segurou a foice de lâmina emasculadora, ainda pingando, depois de ter cortado fora o semeador viril de seu pai [Ouranós], arado e roubado a cama da mãe [Gaía] para a qual ele se apressou, e lutou contra seu pai à frente dos Titánes." – Nónnos, Dionysiakás 18. 223

"[O rei indiano Deriádês disse:] Eu nada sei de Krónos, ou do Kronídês [Zeús] que destruiu seu pai, nem de Krónos, o enganador, que engoliu seus próprios filhos, e a longínqua margem de Aithér [Ouranós] a colméia produtora do amor." – Nónnos, Dionysiakás 21. 252


"[Aphrodítê] recém-nascida da salmoura; quando a água impregnada do sulco de Ouranós entregou do auto-mar, Aphrodítê;que sem casamento, a semente arou com a fertilidade masculina, e da própria espuma formou uma filha, e Phýsis foi a parteira." – Nónnos, Dionysiakás 41. 98


OURANÓS E A CHUVA DO CÉU



"O santo céu (ouranós) anseia por ferir a terra (khthón), e desejando se espalhar, agarra a terra para se juntar em matrimônio; a chuva, caindo do amoroso céu, impregna a terra, e dá a luz para a humanidade, o alimento dos rebanhos e manadas e os presentes de Dêmétêr [os grãos]; e a partir desse úmido rito de matrimônio os bosques se enchem de flores. De todas essas coisas eu [Aphrodítê, deusa da procriação] sou a causa." – Aiskhýlos, Fragmento 25, Danaídes.


OURANÓS A VOZ ORACULAR DO CÉU


"Mas o grande Krónos os tragava [seus filhos Kronídes] à medida que desde o seio sagrado de sua mãe caiam nos tornozelos. E fazia assim com o fim de que nenhum entre os ilustres Ouranídes possuísse jamais o poder supremo entre os Imortais. Porque, efetivamente, Gaía e Ouranós estrelado lhe inteiraram de que estava destinado a ser dominado por seu próprio filho, pelos desígnios do grande Zeús, apesar de sua força. E por isso, não sem habilidade, meditava seus estratagemas e devorava seus filhos. E Rhéa estava sobrecarregada de um grande dor." – Hesíodos, Theogonía 459

"E em seguida, Zeús, o rei dos deuses, tomou por esposa Métis, a mais sábia entre os imortais e os homens mortais, mas quando ela ia parir a Deusa Athén, a dos olhos claros, enganando-lhe o espírito com astúcia e com elogiosas palavras, Zeús a encerrou em seu ventre por conselho Gaía e de Ouranos estrelado. E o haviam aconselhado istos para que não possuísse o poder real nenhum outro que Zeús entre os Deuses eternos; Porque estava predestinado que de Métis nasceriam filhos sábios, e primeiramente a virgem Tritogéneia, a dos olhos claros, tão poderosos como os dos seus pais e tão sábia. Logo, haveria de parir Métis um filho, rei dos Deuses e dos homens, que possuiria grande valor, mas, antes disso, a encerrou Zeús em seu ventre, com o fim de que a deusa lhe desse a ciência do bem e do mal." – Hesíodos, Theogonía 886

"...enquanto brincava com as filhas de Ôkeanós, as de profunda cintura [Persephónê], e colhia flores em um brando prado, a saber: rosas, açafrão, formosas violetas, espadilhas, jacintos e aquele narciso que a terra produziu tão admiravelmente exuberante, pela vontade de Zeús, com o fim de enganar a donzela de tez rósea e comprazer a Haídês que a muitos recebe; e ao vê-lo se assombraram os imortais deuses assim como os mortais homens. Centenas de flores brotaram de sua raiz e, ao dispersar seu odor suavíssimo; sorriu todo o alto e amplo céu [Ouranós], a terra  [Gaía] inteira e a inchada e salubre água do mar [Thálassa]." – Homêrikós Hýmnos 2 para Dêmétêr 5

"Dizendo assim, [Héra] se afastou dos deuses, enojada em seu coração. Ato contínuo se pôs a rogar Héra venerável, a de olhos de novilha, e, golpeando a terra com sua mão inclinada, disse estas palavras:
— Ouça-me agora, oh Gaía e amplo Ouranós que estás acima, e deuses Titánes que habitam debaixo da terra, junto ao grande Tártaros, e dos quais procedem homem e deuses: agora ouça-me, vós todos, e dêem-me um filho, sem intervenção de Zeús, que em modo algum lhe seja inferior em força, senão que lhe supere tanto como o longevidente Zeús supera Krónos." – Homêrikós Hýmnos 3 para Apóllôn Pythíos 334

"Do topo na fenda da testa de seu pai [Zeús] Athénê saltou no ar, e ressoou para o amplo céu seu cristalino grito de guerra. E Ouranós tremeu ao ouvir, e a Mãe Gaía." – Píndaros, Ode Olímpica 7. 36

"De acordo com Anakréôn... quando Zeús estava começando a guerra contra os Titáni, isto é, os filhos de Titánas, irmão de Krónos, e estava sacrificando a Ouranós, ele viu uma águia voar nas proximidades, um presságio favorável para a vitória.Em troca deste feliz presságio, e particularmente, porque foi de fato seguido de vitória, eçe colocou uma águia dourada em seu estandarte de guerra e dedicou este como uma proteção por seu valor." – Anakréôn, Fragmento 505d

"Antes da batalha contra os Gígantes em Krétê [os Titánes], dizem-nos, Zeús sacrificou um touro para Hélios e para Ouranós e para Gé; e em conexão com cada um dos ritos foi revelado a ele qual era a vontade dos deuses no caso, os presságios indicaram a vitória dos deuses e a deserção de seus inimigos [certos Titánes despertaram para o lado de Zeús]." – Diódôros Sikeliós, Biblioteca de História 5. 71. 2


OURANÓS TESTEMUNHO DO JURAMENTO DOS DEUSES


[Zeús disse]—Sejam testemunhas, Gaía e o amplo Ouranós e a água de Stýx, de subterrânea corrente—que é o juramento maior e mais terrível para os bem-aventurados deuses— e tua cabeça sagrada e nosso thálamos nupcial, pelo qual nunca juraria em vão. Não é por meu conselho que Poseidón, o que sacode a terra, prejudica aos teucros e a Héktôr e auxilia aos outros; seu próprio ânimo deve impeli-lo e animá-lo, ou talvez se compadece dos aqueus ao ver que são derrotados junto as naus. Mas eu aconselharia Poseidón que fosse por onde tu, o das sombrias nuvens, lhe mandasse.Hómêros, Iliáda 15. 36.

"Assim disse. E Lêtó prestou o grande juramento dos deuses:
— Saiba agora Gaía e desde acima o amplo Ouranós e a água corrente de Stýx—que é o juramento maior e mais terrível para os bem-aventurados deuses: em verdade que sempre estarão aqui o perfumado altar e o bosque de Phoíbos, e este te honrará mais que a nenhuma." – Homêrikós Hýmnos 3 para Délios Apóllôn 84

"[Khalkiópê aborda sua irmã Médeia:] Jure por Gaía e Ouranós que você irá manter o que eu disser para você mesma e trabalhar em aliança comigo...
[Médeia responde:] Eu farei o que você pedir e farei o juramento dos cólquios, jurando pelo poderoso Ouranós e por Gaía subterrânea, a mãe dos deuses, que desde que suas demandas não sejam impossíveis, eu vou ajudá-la como você desejar, com todo o poder que em mim reside." – Apollónios Rhódios, Argonautiká 3. 697


"Ambos [os deuses] fizeram um juramento obrigatório, por Kronídês [Zeús] e Gaía, por Aithér e a corrente de Stýx; e as Moírai testemunharam formalmente a barganha." – Nónnos, Dionysiakás 45. 526


OURANÓS, MISCELÂNIA



"[Plátôn constrói etimologias filosóficas para os nomes dos deuses:] SÓKRATES: —...Que Zeús seja o filho de (Krónos), parecerá no momento uma coisa imprópria, mas é muito racional pensar que Zeús descende de alguma inteligência superior. Agora bem; a palavra (koros), significa, não filho, senão o que há de puro e sem mistura na inteligência, (noos). Mas o próprio Krónos é filho de (Ouranós), segundo a tradição; e a contemplação das coisas do alto, se chama com razão (ourania, oroosa ta anoo; ou seja, que contempla as coisas desde o alto). Daqui procede, meu querido Hermógenes, segundo dizem os que são entendidos nas coisas celestes, o espírito puro; e por isto o  nome de (Ouranós), lhe foi dado com muita propriedade. Si recorda a genealogia de Hesíodos, e os antepassados dos deuses que acabo de citar, não me cansaria de fazer ver que seus nomes são perfeitamente próprios; e seguiria até mostrar a prova do ponto a que poderia chegar esta sabedoria, que me veio de repente, sem saber por onde, e que não sei si devo dá-la ou não por concluída." – Plátôn, Krátylos 400d & 396a 


OURANOS A CÚPULA DE BRONZE DO CÉU


"E então cessou Zeús de conter suas forças, e sua alma no ponto se encheu de cólera, e despregou todo seu vigor, precipitando-se chamejante de Ouranós e do Ólympos e com o trovão e o relâmpago, voavam rapidamente de sua mão robusta as centelhas, lançando ao longe a chama sagrada e por todas as partes mugia, chamejante, Gaía fecunda e as grandes selvas crepitavam no fogo, e toda a terra ardia, e as ondas de Ôkeanós e o imenso Póntos se abrasavam, e um vapor cálido envolvia aos Titánes terrestres e acendia a chama, prolongando-se no ar divino, e nos olhos dos mais bravos estavam deslumbrados pelo resplendor irradiante da centelha e do relâmpago.
E o imenso incêndio invadia o Kháos e parece que ainda vêem os olhos e ouvem os ouvidos o transtorno daqueles tempos antigos em que se golpeavam Gaía e o amplo Ouranós, quando com um estrépito sem limites ia esmagando um pelo outro, que se balançavam desde acima. Tão horrível era o fragor do combate dos Deuses!
E todos os ventos levantavam com raiva tornados de pó ao estalar o trovão, os relâmpagos e a ardente centelha, esses dardos do grande Zeús e lançava seu estrépito seus clamores através de ambas as partes. E uma imensa algazarra envolvia o espantoso combate, e de ambos lados se despregava o vigor dos braços.
Mas a vitória se inclinou. Até então, balançando uns aos outros, todos haviam combatido bravamente no terrível combate; mas, na primeira fila, em razão empinando uma luta violenta, Kóttos, Briáreôs e Gýgês o insaciável de combate, lançaram trezentas rochas, uma a uma com suas mãos robustas, e cobriram com sombra seus tiros aos deuses Titánes, e nas profundidades de Gaía espaçosa os precipitaram carregados de duras cadeias, tendo dominado com suas mãos a estes adversários de grande coração e os sumiram sob a terra, tão longe da superfície como longe esta Gaía de Ouranós, porque o mesmo espaço há entre Gaía e o negro Tártaros.
Rodando nove noites e nove dias, chegaria a terra no décimo dia um machado de bronze caído de Ouranós; e rodando nove noites e nove dias, chegaria ao negro Tártaros no décimo dia um machado de bronze caído da terra.
Um recinto de bronze o rodeia, e Nýx espalha três muros de sombra em torno da entrada, por cima estão as raízes de Gaía e de Póntos estéril e ali, abaixo a negra névoa, neste lugar infecto, nas extremidades de Gaía imensa, por ordem de Zeús, que amontoa as nuvens, estão escondidos os Deuses Titánes.

E não tem saída este lugar. Poseidón fez suas portas de bronze, e por todas as partes o rodeia de um muro; E ali habitam Gýgês, Kóttos e Briáreôs o de grande coração, seguros guardiães de Zeús tempestuoso e ali, de Gaía sombria e do Tártaros negro, de Póntos estéril e de Ouranós estrelado, estão alinhados os mananciais e os limites, horrendos infectos e detestados dos próprios Deuses." – Hesíodos, Theogonía 678 – 730

"Que a grande cúpula de bronze do céu (ouranós) caia em cima de mim, o medo dos homens, nascidos da terra." – Theognis, Fragmento 1. 869

"Muito longe, muito longe, à direita no distante final da cúpula do céu (ouranós)." – Aristophánês, Eirénê 499

"Assim como ela [Eós] chorou [pela morte de seu filho Mémnôn], as lágrimas corriam pelo seu rosto imortal, como um rio transbordando: encharcando a escura terra ao redor do curso. Nýx entristeceu pela angustia de sua filha [Eós, aqui é identificada com Heméra], e Ouranós reuniu todas as suas estrelas num véu de neblina e nuvem, por seu amor por Erigéneia (a senhora da luz)." – Koíntos Smyrnaíos, Queda de Troía 2. 549


"O deus [Hélios] nas alturas apressa seus brilhantes corcéis através do corpo do ancião [Ouranós],e espalha luz sobre o curvo céu." – Balérios Phlákkos, Argonautikás 5. 408