segunda-feira, 20 de agosto de 2012

OROÍ & NÊSOÍ


OROÍ
Na mitologia grega, os Oroí ou Oúrea (em grego Oρoί ou Oύρεα, de ούρος ou ορός, “montanha”) eram Prôtógenos (“deuses primordiais”) ou Daímones Nómioi (“espíritos rústicos”) das montanhas. Supunha-se que cada montanha tinha seu próprio deus, ocasionalmente representados nas artes clássicas como velhos barbudos erguendo-se entre seus picos escarpados.
Raramente mencionados nos mitos, eram descendentes de Gaía (a Mãe Terra) por si mesma, portanto irmãos de Ouranós (o Céu) e Póntos (o Mar) e pais com esta das Nýmphes Epigaíes (espíritos femininos da terra).
Entre os Oúrea se consideram:
§                     Aitna, o vulcão da Sikelía.
§                     Athos, uma montanha de Thrákê (norte da Grécia).
§                     Kyllene, uma montanha na Arkadía, onde Hérmês nasceu.
§                     Kyrene, uma montanha na Arkadía, lar das Elaphoi Kyrenitis.
§                     Kynthios, uma montanha de Delos que criou Apóllôn e Ártemis.
§                     Kaúkasos, maciço montanhoso onde fica a prisão de Prometheus.
§                     Kythairon, maciço montanhoso de Boiotía (centro da Grécia).
§                     Dryos, uma montanha da ilha de Naxos.
§                     Erymanthos, uma montanha da Arkadia, lar do Hus Erymanthos.
§                     Erinx, um filho de Aphrodite que foi transformado em montanha.
§                     Pholoe, um monte da Arkadia, morada do Kentauros Pholos.
§                     Helykon, uma montanha da Boiotia que competiu com Kytheron.
§                     Hemos, rainha que foi transformada em montanha por sua Hybris.
§                     Idaios, uma montanha de Krete que criou Zeus.
§                     Lykaios, uma montanha da Arkadia.
§                     Meliteus, uma montanha da Skheria.
§                     Mikale, uma montanha em Karia na Anatolia.
§                     Nomia, uma montanha da Arkadia.
§                     Nysos, uma montanha da Boiotia que criou Dionýsos.
§              Olýmpos, o lar dos Dodekatheon e a montanha mais alta da Grécia, situada na Phrige.
§                     Oreios, deus da montanha Othrys, em Malis (sul da Thessalia).
§                     Ossa, montanha que foi usada pelos Aloadai para subir ao céu.
§                     Parnassos, uma montanha próxima do oráculo de Delphoi.
§                     Parnes, uma montanha da Boiotia.
§                     Pelion, uma montanha onde morava o Kentauros Kheiron.
§                     Pieros, montanha na Makedonia onde vivia Mnemosyne.
§                     Pindos, montanha que foi usada pelos Aloadai para subir ao céu.
§                     Rhodopê, rei que foi transformado em montanha por sua Hýbris.
§                     Sinoe, uma montanha da Arkadia, onde Pán nasceu.
§                     Taurus, montanha sagrada da Grécia.
§                     Tmolos, uma montanha da Lidye (em Anatolia).


NESOÍ
Na mitologia grega, as Nesoí (em grego Νησοί, “ilhas”) eram as deusas das ilhas, e cada ilha teria sua própria personificação. Foram classificadas como antigas deusas elementares chamadas Prôtógenoi.
De acordo com o filosofo Kalimakos as Nesoi eram antigas deusas das montanhas chamadas, Oroí (em grego  Oρoί), filhas de Gaía, por si mesma, mas Poseidón golpeou-as violentamente e mergulhou-as no mar com seu tridente.
Entre algumas dessas deusas se destacam não somente as Ourea, mas também Theai, Nerêídes e Ôkeanídes: Aígina, Erýtheia, Kalypsó, Kírkê, Rhódê, Nésaiê, e Nésô entre tantas outras.

OURANÓS


OURANÓS
Na mitologia grega, Ouranós (em grego, Ουρανός, “céu”) também chamado de Akmôn (Ακμων, “incansável”) ou de Aíôn (Αιων, “eterno”) era um Theós Prôtógonos que personificava o céu. Foi gerado espontaneamente por Gaía, a Terra, e casou-se com sua mãe. Ambos foram ancestrais da maioria dos Theoí Hellenioí, mas nenhum culto dirigido diretamente a Ouranós sobreviveu até a época clássica, e o Theós não aparece entre os temas comuns da cerâmica grega antiga. No entanto, Gaía, Ouranós e Stýx podiam ser nomeados em uma solene invocação na épica homérica.
Ouranós teve numerosos filhos-imãos, entre os quais os Titânes e as Titânides, os Kýklôpes e os Hekatónkheires. Odiava seus filhos e por isso mantinha todos presos no interior de Gaía, a Terra. Esta então instigou seus filhos a se revoltarem contra o pai. Krónos, o mais jovem, assumiu a liderança da luta contra Ouranós e, usando uma foice oferecida por Gaia, castrou seu pai e jogou seus testículos em Thálassa. Formou-se uma espuma, da qual brotou Aphrodítê, a Theá do amor. Do ikhór de Ouranós que caiu sobre Gaia, nasceram os Kouretes e as Meliades e do ikhôr que caiu sobre Nýx, nasceram as Erinýes, e sobre Hémera, nasceram as Moúses.
Seu equivalente na mitologia romana é Caelus ou Coelus - do qual provém caelum ou coelum, a palavra latina para "céu".
KOSMOGONÍA
Ouranós foi gerado por Gaía, que o produz “com suas mesmas proporções”. Este ato de produção assexuado foi concebido como uma versão teogônica do princípio cosmogônico da separação do céu e da terra a partir de uma massa indistinta. Ouranós é o consorte de Gaía, esta união é motivo de frequente aparição em mitos e rituais. Ouranós vinha todas as noites cobrir Gaía, deles nascem um conjunto de divindades, os Titánes, os Kýklôpes e os Hekatónkheires. Mas Ouranós odiava os filhos que esta gerava.
Os maiores descendentes de Ouranós são os Titánes e as Titanídes, seis filhos e seis filhas, os gigantes de cem braços, os Hekatónkheires, e os gigantes com um só olho, os Kýklôpes.
Ouranós aprisionou os filhos mais novos de Gaía nas profundezas do Tártaros, nas entranhas da terra, causando grande dor a Gaía. Ela forjou uma foice e pediu aos filhos para castrarem Ouranós. Apenas Krónos, o mais jovem dos Titánes, concordou. Ele emboscou seu pai, castrou-o e lançou os testículos cortados em Thálassa.
Do ikhór derramado de Ouranós sobre Gaía nasceram os Kourétes e as Meliádes, e sobre Nýx as três Erinýes, e sobre Heméra as três Moúses.
A partir dos testículos lançados em Thálassa nasceu Aphrodítê. Alguns dizem que a foice ensanguentada foi enterrada na terra e daí nasceu à fabulosa tribo dos Phaíakes e dos Kýklôpes Sikelíoi.
Ouranós profetizou que os Titánes teriam um castigo justo por seu crime, antecipando a vitória de Zeús sobre Krónos.
Depois de Ouranos ter sido deposto, Krónos aprisionou novamente os Hekatónkheires e os Kýklôpes no Tártaros. Ouranós e Gaía profetizaram que Krónos, por sua vez, estava destinado a ser derrubado por seu próprio filho, e assim o Titán tentou evitar essa fatalidade devorando os seus filhos. Zeús, graças a artimanhas de sua mãe Rheía, conseguiu evitar este destino.
Depois da sua castração, o céu não veio mais para cobrir a terra à noite, cigindo-se ao seu lugar, e "a geração original chegou ao fim". Ouranós era raramente considerado como antropomórfico, exceto as genitais do mito da castração. Ele era simplesmente o céu, o qual foi concebido pelos antigos como um grande teto circular de bronze girando num eixo, sustentado pelo Titán Átlas.
CONSORTES E DESCENDENTES
Quase toda a descendência de Ouranós originou-se de sua união com Gaía, exceto as Moúses, filhas de sua união com Heméra, as Erinýes, filhas de sua união com Nýx e Aphrodítê, nascida quando Krónos o castrou e arremessou os genitais mutilados em Thálassa.
v    Filhos de Ouranós com Gaía:
1.   Kýklôpes, gigantes de um olho só.
§         Bróntês
§         Stéropês
§         Árgês
2.   Hekatónkheires, gigantes de cem braços e cinquenta cabeças.
§         Briáreôs
§         Kóttos
§         Gýgês
3.   Titánes e Titanídes, deuses anciões.
§         Koíos
§         Kreíos
§         Krónos
§         Ôkeanós
§         Hyperíôn
§         Iapetós
§         Mnemosýnê
§         Phoíbê
§         Rheía
§         Têthýs
§         Theía
§         Thémis
v    Filhas de Ouranós e Nýx
4.   Erinýes, deusas da vingança.
§         Alektó
§         Mégaira
§         Tisíphonê
v    Filhas de Ouranós e Heméra
5.   Moúses, deusas da memória.
§        Mnémê
§        Melétê
§        Aiódê
v    Filhos do ikhór de Ouranós sobre Gaía
6.   Meliádes, Nýmphai guerreiras nascidas do freixo
7.   Kourétes, místicos Hóplites orgiásticos
8.   Phaíakes, tribo mística da ilha Skhéria.
9.   Kýklôpes Sikelioi, tribo de Gigántes da Sikelía.
v    Filha do spérma de Ouranós sobre Thálassa
10.                        Aphrodítê
OURANÓS E VARUNA
A identificação de Ouranós con o Varuna védico provem do nível cultural indo-europeu mais primitivo. A identificação de elementos míticos compartilhados por essas duas divindades era baseada em grande medida nas interpretações lingüísticas, mas não propunha uma origem comum, baseada em parte em uma raíz proto-indo-européia proposta ŭer com o significado “atar” (Varuna ata aos malvados, Ouranós ata aos filhos) é amplamente repelida por aqueles que encontram uma provável etimologia do proto-grego worsanos, da raíz proto-indo-européia wers, “umidecer”, “gotejar” (referido a chuva).
REPRESENTAÇÃO
Como elemento físico, Ouranós era o limite superior do universo, o teto do mundo, sólido, concebido como bronzêo (χάλκεος) ou  como ferrêo (σιδήρεος). A maioria dos especialistas acredita que o céu era concebido como uma abóbada, embora os domos sejam pouco freqüentes depois do período micênico, o céu era pensado como plano e paralelo a terra, posto que si tivesse forma de abóbada não se poderia explicar a necessidade de que Atlas mantivesse separada desta a uma estrutura semelhante. No épico grego é frequente a qualificação de Ouranós como “estrelado” (ἀστερόεντος).
Nos hinos homéricos, Ouranós é às vezes um nome alternativo do Ólympos como residência dos Theoí, como ocorre no final do livro I da Iliáda, quando Thétis surge do mar para suplicar com Zeús: “saindo dentre as ondas de Póntos, subiu bem cedo ao grande Ouranós e ao Ólympos, e encontrou ao longevidente Kroníôn sentado aparte”.
Ólympos (Ὀλυμπος) é usado quase sempre para esse lar, mas Ouranós (Οὐρανός) alude frequentemente ao céu natural acima de nós sem alusão alguma a que os Theoí vivessem ali.
Estes antigos mitos de origens distantes não constam em cultos Hellenos. O papel de Ouranós é o e um deus derrotado de um tempo anterior ao tempo real. Após sua castração, o Céu não voltou a cobrir a Terra pela noite, senão que ocupou seu lugar, e “os pais originais chegaram a seu fim”.
PLANETA OURANOS
Os antigos gregos e romanos sabiam de apenas cinco “estrelas errantes” (em grego πλανήται, “planetas”): Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Na seqüência da descoberta de um sexto planeta no século XVIII, o nome Ouranus foi escolhido como o complemento lógico para a série: para Marte (Árês, em grego) era o filho de Júpiter (Zeús), este, filho de Saturno (Krónos), e este, filho de Coelum (Ouranós).
A perda do épico Titanomakhía atribuído a Eúmelos de Korínthos incluía uma Kosmogonía. Provavelmente era similar em muitos aspectos ao de Hesíodos, mas com alguns pontos divergentes e significativos, Ouranós, Gaía e Póntos, por exemplo, eram aparentemente, representados como filhos de Aithér e Heméra.
HINO A OURANÓS
"Para Ouranós, queimação de incenso. Grande Ouranós, cuja poderosa estrutura não conhece pausa, o pai de todos, desde que surgiu o mundo, ouve, pai generoso, fonte e fim de tudo, para sempre girando em volta desta esfera terrena; morada dos deuses, cujo poder protege e envolve eternamente os limites do mundo, cujo amplo peito, e pregas cercavam as extremidades necessárias para a natureza se manter. Etéreo, terreno, cujos vários moldes, azul e cheio de formas, nenhum poder pode domar. Toda a fonte, vinda de Kronos, para sempre abençoada, divindade sublime, propício a um brilho romântico místico, e coroa os seus desejos com uma vida divina."
KOSMOGONÍA DE HESÍODOS

 “Antes de todas as coisas era o Kháos; e depois Gaía a de amplo seio, assento sempre sólido de todos os Imortais que habitam os cumes do nevado Ólympos e o Tártaros sombrio escavado nas profundezas da terra espaçosa; e depois Érôs, o mais formoso entre os Deuses Imortais, que rompe as forças, e que de todos os Deuses e de todos os homens domina a inteligência e a sabedoria em seus peitos. E de Kháos nasceram Érebos e a negra Nýx, Aithér e Heméra nasceram, porque os concebeu ela após unir-se em amor a Érebos. E primeiro pariu Gaía a seu igual em grandeza, a Ouranós estrelado, com o fim de que a cobrisse por inteiro e fosse uma morada segura para os Deuses ditosos. E depois pariu aos Oúrea enormes, frescos retiros das divinas Nýmphes que habitam as montanhas abundantes em vales pequenos; e depois, o mar estéril que bate furioso, Póntos; mas a estes os gerou sem unir-se a ninguém nas suavidades do amor. E depois, concubina de Ouranós, pariu a Ôkeanós o de redemoinhos profundos, e a Koíos, e a Kreíos, e a Hyperíôn, e a Iapetós, e a Theía, e a Rheía, e a Thémis, e a Mnemosýnê, e a Phoíbê coroada de ouro, e a amável Têthýs. E o último a quem pariu foi o sagaz Krónos, o mais terrível de seus filhos, que cobrou ódio por seu pai vigoroso.” – Hesíodos, Theogonía.


KOSMOGONÍA DE EÚMELOS

O épico perdido intitulado Titanomakhía, atribuído a Eúmelos de Korínthos, incluía a Kosmogonía. Provavelmente era semelhante em muitos aspectos ao de Hesíodos, mas com alguns pontos significativos de divergência: Ouranós, Gaía e Póntos, por exemplo, eram aparentemente representados como filhos de Aithér (Luz) e Heméra (Dia).

"De acordo com o escritor da Guerra dos Titánes Ouranós era filho de Aithér." – Eúmelos de Korínthos ou Arktínos de Míletos, Titanomakhía Fragmento 2.


"[Ouranós era chamado de] rotativo Akmonídês (filho de Akmôn). [Akmôn poderia ser um nome de Aithér]." – Kallímakhos, Fragmento 498.

"De Aether (Luz) e Dies (Dia) [nasceu]: Terra (Terra), Caelum (Céu), Mare (Mar)." – Hygínos, Prefácio.


"Se ele [Cronus] é um Deus, devemos então admitir que seu pai Caelus (Céu) é um Deus. E neste caso, os pais de Caelus, Aether (Luz) e Dies (Dia), devem ser considerados Deuses." – Kíkeron, De Natura Deorum 3. 17.


KOSMOGONÍA DE ALKMÁN

"O pai de Ouranós, como já foi dito, é chamado de Akmôn porque o movimento celestial é incansável (akamatos); os filhos de Ouranós são os Akmonídai: os antigos fazem destes dois pontos claros. Alkmán, dizem eles, conta que o céu pertence a Akmôn." – Alkmán, Fragmento 61. [N.B. o texto também pode ser lido como "Ouranos é Akmôn."]


"Assim, ao mesmo tempo surgiu, Póros (Criador) e Tékmôr (Ordenadora) e Skótos (trevas). ‘Amára (Dia) e Mélaina (Lua) e o terceiro, Skótos (Trevas) assim como as Marmarugas (Centelhas) [estrelado Ouranós ou Aithér]." – Alkmán, Fragmento 5. 

KOSMOGONÍA DE ORPHEÚS

“No princípio só existiam Kháos e Nýx, o negro Érebos e o profundo Tártaros; Gaía, Aér e Ouranós não haviam nascido, todavia; por fim, Nýx de negras asas pôs no seio infinito do Érebos um ovo sem germe, do qual, após o processo de longos séculos, nasceu o desejoso Érôs com asas de ouro resplandecente, e rápido como o vento tempestuoso. Érôs, unindo-se nos abismos do Tártaros ao Kháos alado e tenebroso, gerou nossa raça, a primeira que nasceu à luz. A dos imortais não existia antes que Érôs misturasse os germes de todas as coisas; mas, ao confundi-los, brotaram de tão sublime união Ouranós, Gaía, Ôkeanós e a raça eterna das divindades bem-aventuradas. É aqui como nós somos muitíssimo mais antigos que os deuses.” – Aristophánês, Órnithes 685.

"Ele [Orpheús] cantou sobre essa época passada, quando Gaía (Terra) e Ouranós (Ceú) e Póntos (Mar) estavam unidos em um único molde; como eles foram separados após uma luta mortal." – Apollónios Rhódios, Argonautikés 1. 498

"Ouranós (Ceú), filho de Nýx (Noite), que se tornou o primeiro rei antes de todos." – Orphiká Theogonía, Fragmento.

"Originalmente havia Hýdros, diz Orpheús, e lama, a partir do qual Phúsis se solidificou: ele postula esses dois como os primeiros princípios, água e terra... Antes dos dois havia Thésis, no entanto, ele não deixa claro, se o seu próprio silêncio seja uma indício de sua natureza inefável. O terceiro princípio, foi gerado em seguida por estes, Phúsis e Hýdros, que foi é e, será uma serpente com cabeças adicionais crescendo sobre si, uma de touro, uma de leão e o rosto de um deus no meio, que tinha asas sobre seus ombros, e seu nome era Khrónos e também Heraklés. Unida com ele estava Anánkê, sendo da mesma natureza, incorpóreo, ou Adrásteia, os braços estendidos por todo o universo e tocando suas extremidades. Acredito que esse representa o terceiro princípio, ocupando o lugar da essência, só que Orpheús o tornou bissexual [como Phánes] para simbolizar a causa geradora universal. E assumo que a Teologia das Rapsódias Órficas descartou os dois primeiros princípios (juntamente com o anterior aos dois, que não foi citado) [isto é, os Órficos descartaram os conceitos de Thésis, Khrónos e Anánkê], e começou a partir deste terceiro princípio [Phánes] após os dois, porque este foi o primeiro que foi exprimível e aceitável aos ouvidos humanos. Pois este é o grande Khrónos que encontramos nas Rapsódias, o pai de Aithér e Kháos Com efeito, nesta teologia também [Hierónymos], este Khrónos, a serpente teve filhos, em número de três: úmido Aithér, ilimitado Kháos, e como um terceiro, nebuloso Érebos... Entre estes, diz ele, Khrónos gerou um ovo, essa tradição também torna-o gerado por Khrónos, e nascido "entre" estes, porque é a partir destes que a terceira tríade Inteligível é produzida [Phánes] O que é essa tríade, então? O ovo, a díade das duas naturezas formadas em seu interior (masculino e feminino) e a pluralidade entre as várias sementes e em terceiro lugar um deus incorpóreo com asas douradas nos ombros, cabeças de touros crescendo em seus flancos, e na cabeça uma serpente monstruosa, apresentando a aparência de todos os tipos de formas animais... E o terceiro deus da terceira tríade nesta Teologia também comemora como Protógonos [Phánes], e ele chama de Zeús a ordem de tudo e do mundo inteiro, portanto ele também é chamado de Pán. Tanto nessa segunda fonte genealógica relativa aos princípios inteligíveis."   Orphikós, Fragmentos 54.

"Os deuses, como eles [os gregos] dizem, não existiam desde o início, mas cada um deles nasceu como nós nascemos... e Orpheús, que foi o inventor original dos nomes dos deuses e contou sobre seus nascimentos e disse o que todos eles fizeram, e que desfruta de algum crédito entre eles como um verdadeiro teólogo, e é geralmente seguido por Hómêros, sobretudo, a respeito dos deuses, também fazendo sua primeira gênese da água: Ôkeanós, que é a gênese de tudo. Hýdros (Água), era de acordo com ele, a origem de tudo, e de Hýdros a lama foi formada, e deles um ser vivo foi gerado com cabeças adicionais crescendo sobre ela, de um leão, e outra de um touro, e no meio delas o semblante de um deus; seu nome era Heraklés e Khrónos (tempo) deste Heraklés foi gerado um enorme ovo, que, sendo completamente preenchido, pela força de sua geração foi dividido em dois pelo atrito. Sua copa se tornou Ouranós (Céu), e o que tinha afundado para baixo, Gaía (Terra). De lá também saiu um deus incorpóreo [Prôtógonos-Phánes]." – Orphiká, Theogonía, Fragmento 57.

"E Epikoúrios disse que o mundo começou, semelhante a um ovo, e o Vento [as formas entrelaçadas de Khrónos e Anánkê] ​​Circundando o ovo na forma de uma serpente como uma coroa ou um cinturão de flores, então começou a contrair a natureza. Conforme tentou espremer toda a matéria com maior força, ele dividiu o mundo em dois hemisférios, e depois que os átomos se ordenaram para fora, os mais leves e mais finos do universo flutuaram para cima e tornaram-se o Ar brilhante [Aíther] e o Ar mais rarefeito [Kháos], enquanto o mais pesado e mais sujo se lançou para baixo, tornado-se a Terra [Gaía], tanto a secura da terra quanto o fluido das águas [Póntos]. E os átomos se movem por si mesmos e por si mesmos dentro da revolução do céu e das estrelas. Tudo ainda está sendo impulsionado pelo circular vento serpentiforme [Khrónos e Anánkê]" – Epikoúrios, fragmentos.

"Antes de Mare [Póntos], Terra [Gaía] e Coelum [Ouranós] que tudo cobre, Natura [Phýsis] tinha, em todo o orbe, um só rosto a que chamaram Chaos [Kháos], massa rude e indigesta; nada havia, a não ser o peso inerte e díspares sementes mal dispostas de coisas sem nexo, e cada coisa obstava outras, pois num só corpo o frio combatia o quente, o seco o úmido, o mole o duro, e o peso o que não tinha peso.
Ainda nenhum Titan [Titán] iluminava o mundo, nem Phoebe [Phoíbê], no crescente, os chifres renovava, nem Terra [Gaía] pendia no Aer [Kháos] circunfuso, suspensa no seu peso, nem, por longas margens, os seus braços havia espraiado Salacia [Thálassa]. E como ali houvesse terra e mar e ar, instável era a terra, a onda inavegável e o ar sem luz; a nada aderia uma forma.
Deus [Kósmos] de outra natureza esta luta sanou, pois de Coelum [Ouranós] separou Terra [Gaía], e desta Maré [Póntos], e do Aer [Khaós] espesso um Aether [Aithér] límpido discerniu. E depois que os tirou do disforme conjunto, cada qual num lugar ligou, em paz concorde.
Do convexo Coelum [Ouranós], força ígnea e sem peso surgiu e se firmou no mais alto da abóbada; o Aether [Aithér], dela, se aproxima em leveza e lugar; mais densa, Terra [Gaía] atrai os grandes elementos e é premida por seu peso; Mare [Póntos] circunfluxo ocupou o restante e cercou o orbe sólido.
Assim aquele Deus [Kósmos], fosse qual fosse, a massa, primeiro, dividiu em lotes e ordenou, para que igual ficasse em toda a parte, dando à Terra [Gaía] a aparência de um imenso orbe.
Então Mare [Póntos] romper-se com os ventos rápidos mandou e circundar os litorais de Terra [Gaía]. Reuniu pântanos, fontes e grandes lagoas, por entre sinuosas margens cingiu rios, que em parte se absorvem em vários locais, em parte vão ao mar, e acolhidos no campo de águas livres, em vez de margens, tocam praias. Mandou dilatar campos, vales abaixar, selvas cobrir de folha, erguer montes rochosos.
E, como há em Coelum [Ouranós] duas zonas à direita e outro tanto à esquerda e uma quinta mais tórrida, assim um deus zeloso o globo dividiu por igual, e outras tantas plagas tem a Terra [Gaía]. Por causa do calor, não se habita a mediana, cobre duas a neve; entre ambas pôs as outras, que, misturando fogo ao frio, temperou.
Cobre-as o Aer [Kháos], que tanto é mais leve que a terra e a água, quanto mais pesado do que o fogo. Lá as névoas, e lá as nuvens, pendurar mandou, também trovões que aterram mente humana e os ventos que, com raios, rabiscam relâmpagos.
O criador do mundo, no entanto, não lhes deu a posse do ar ao léu; a custo, agora, impede-os, embora cada qual assopre em sua rota, de o mundo varrer, pois grande é a rixa entre irmãos. Eurus [Eurós] se foi à Matuta [Eós], aos reinos nabateus, à Persia e às montanhas sob luz matutina; Vesper [Hésperos] e as praias, mornas pelo sol poente, de Phavonius [Zéphyros] estão perto; a Scythia e o setentrional Aquilous [Boréas] frio invadiu; a região contrária se umedece de chuva e assíduas nuvens de Austrus [Nótos].
Em cima pôs o Aether [Aithér] límpido e sem peso, que nenhuma impureza terrena contém. Logo que dispôs tudo em seus limites certos, estrelas, muito tempo sob profundas trevas, põem-se a cintilar na vastidão do céu.
Para que não houvesse lugar sem ser vivo, astros e deuses moram em solo celeste, coube aos peixes brilhantes habitar as ondas, às feras coube a terra, o ágil ar às aves. Um animal mais nobre e mais inteligente, que dominasse os outros, ainda faltava.
Nasceu o homem, ou fê-lo com sêmen divino o autor de tudo, origem de um mundo melhor, ou Terra [Gaía] recém-separada do alto Aether [Aithér] retinha o sêmen de Coelum [Ouranós], seu irmão; misturando-a à chuva, o nascido de Iapetus [Iapetós] plasmou-a à imagem de deuses potentes; os outros animais, curvos, miram a terra, ao homem, dando olhar sublime, o céu mirar mandou e dirigi-lo, o porte ereto, aos Astros.
Assim a terra, há pouco rude e disforme, transformou-se em figuras inéditas de homens." – Obídios, Metamorphóseis.

"Depois de Chaos [Kháos], quando o mundo adquiriu três elementos e toda a estrutura mudou para uma nova forma, terra cedeu sob o seu peso e arrastou os mares [Póntos] para baixo, mais leve, elevou-se o céu [Ouranós] para cima. O sol, também, saltando, não acorrentado pela gravidade, e as estrelas, e vós cavalos da lua. Terra [Gaía] por um longo tempo não deus a Caelus [Ouranós]. Em as estrelas para Phoebus [Hélios]. Todos postos como iguais." – Obídios, Phaste 5. 9.

"Gaía (Terra) produziu Aithér [ou Ouranós] pontilhado com sua tropa de estrelas: Você [Diónysos] teve seu nascimento a partir de Ouranós (Ceú), mas minha Gaía (Terra) te encobrirá por cima. O próprio Kronos... foi encoberto no seio de Gaía [ou seja, no Tártaros], embora ele fosse filho de Ouranós." – Nónnos, Dionysiaká 27. 50


"[O monstro Typhôeús fala a Zeús:] Ouranós (Céu) é meu irmão, um filho de Gaía assim como eu." – Nónnos, Dionysiaká 2. 334.